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Vou contar gritar pra todo mundo que você nasceu pra mim.
Ex-Menudo + Valéria Flor Cigana = Parayzo.
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Ótima dica da @goliveiravargas, a produção é da equipe IG.
Uma delas ficou durante anos guardada na gaveta mais empoeirada desde pobre cérebro, vindo à tona sabe-se lá por que quando minha irmã veio a Porto Alegre. A história falava sobre um macaco que zombava de alguém, gritando “comeu a gordura do meu rabo”. Várias horas e uma ligação telefônica depois, minha mãe tentava se lembrar da história, que era a seguinte:
Era uma vez uma velhinha que possuía um macaco escravo. A velhinha o mandou à venda comprar banha em lata para cozinhar. O macaco gastou o dinheiro que a velhinha lhe deu (em bebida?) e, no caminho de volta, teve a brilhante idéia de cortar o próprio rabo e espremer a gordura do mesmo em uma lata para entregar à velhinha. O macaco assistiu à senhora comendo com prazer a comida feita com a dita gordura. Ao final da refeição, zombou da velhinha: “comeu a gordura do meu rabo, comeu a gordura do meu rabo”.
A história ganha um segundo arco, onde o macaco se entristece por não ter mais o rabo e pede à velhinha o rabo de volta. Ela, impotente para retornar o rabo, oferece uma navalha em troca. O macaco sai porta afora com a navalha, até encontrar uma pessoa tentando cortar um pedaço de pão muito duro. O macaco oferece a navalha à pessoa, que o corta. Contudo, a navalha se quebra no processo. O macaco se entristece e suplica: “quero minha navalha! Quero minha navalha!” A pessoa oferece o pedaço de pão ao macaco, que o aceita e segue caminho. Encontrando um homem que passava fome, o macaco se compadece e dá o pão a ele. O homem oferece a própria camisa em troca, a qual é trocada no encontro seguinte do macaco com outro humano, que passava frio e lhe dá um violão em troca. Ao final, o macaco sai estrada afora cantando: “Do rabo uma navalha, da navalha a um pão/ Do pão uma camisa, da camisa um violão”.
A história, relembrada aos trancos, simplesmente não fazia sentido. A junção do primeiro arco macaco-venda-gordura não tinha uma conexão muito boa com o segundo navalha-pão-camisa-violão. Não havia justificativa para a velhinha, passada por trás pelo macaco malandro no primeiro ato, ainda doar uma navalha ao mesmo. Aliás, o macaco chegar vivo ao segundo arco era algo incrível.
Fazendo valer o título do blog, fui ao pai-dos-burros da contemporaneidade procurar uma visão mais pura da história. Uma das coisas mais fascinantes da tradição oral é a facilidade com que ela é apropriada e reinventada por cada um de seus reprodutores. Será que a história que chegou a mim não seria um mash-up entre várias histórias envolvendo macacos?
A primeira lição aprendida foi a de que não se coloca “rabo” impunemente no Google, mesmo que dentro de uma combinação com outras palavras. Depois da trigésima página de pornografia, desisti e resolvi seguir a outra ponta da história. As palavras navalha, pão, camisa me deram mais sorte: achei menções no Brasil e em Portugal de um conto português em que um macaco empreende uma viagem trocando objetos, coroando o final com uma canção. Eu estava chegando perto.
Em Portugal, o primeiro arco do conto é diferente, e faz muito mais sentido. O macaco teria se envergonhado de seu rabo comprido, pedindo a um barbeiro que o cortasse fora. Uma vez de rabo curto, sai o macaco à rua e é ridicularizado. De volta ao barbeiro, pede que este cole o rabo de novo. Ante a negativa, o macaco lhe rouba uma navalha e sai por aí. O segundo arco é uma seqüência de trocas da navalha por outros objetos, tal qual a versão da minha mãe. Ainda nessa versão portuguesa, o macaco troca a navalha por sardinhas, depois farinha, uma menina (tempos politicamente incorretos, mas enfim…) e, finalmente, a viola, com a qual ele entoa uma canção contando sua trajetória:
“Do rabo fiz navalha, da navalha fiz sardinha, da sardinha fiz farinha, da farinha fiz menina, da menina fiz camisa, da camisa fiz viola, e eu vou para Angola”.
Algumas versões finalizam com “tum tum tum, que vou para Angola”, “tinglim, tinglim, e vou para Angola” ou, ainda, “frum frum, e vou para Angola”.
Outras versões, coletadas no Brasil, têm o primeiro arco totalmente modificado, onde o rabo cortado do macaco tem sua origem na teimosia do mesmo em não sair da frente de um carro de boi (é, o macaco não era fácil). O rabo é, obviamente, cortado, e o resto da história segue mais ou menos o segundo arco das versões anteriores. Tanto nessa versão quanto na portuguesa, a canção do macaco menciona Angola como o destino desejado do símio, ao contrário da versão da minha mãe, originária do interior de São Paulo.
Segundo Luis da Câmara Cascudo, o conto é um exemplo de cumulative tales, os contos acumulativos ou encadeados, comuns à literatura oral européia, africana e asiática. No Brasil, esses contos seriam originários de Portugal, ganhando elementos locais mas mantendo a mesma estrutura.
Tal como no conto do macaco, o trajeto de uma versão a outra foi uma experiência bem interessante per se. Além da diversidade de versões e do pano pra manga que isso dá em pensarmos como foi a mutação dos elementos de contador para contador, essa procura trouxe situações em que o conto provou ser uma excelente metáfora dentro de um ambiente de storytelling. Encontrei esta matéria com a contadora de histórias Maria Betty Coelho Silva, em que ela descreve duas experiências riquíssimas com alunos, ambas envolvendo o conto como articulador de relacionamento com crianças.
Acabo de apresentar uma palestra para alunos de Publicidade e Propaganda da ESPM. Para os que estiverem me lendo, OIE, ADOREI
Confesso que passei dias me perguntando o que eu poderia levar de mais interessante para uma aula da disciplina de Marketing Direto. Eu fazia questão de levar algo que estivesse profundamente entranhado naquilo que faço, e que fizesse alguma diferença para quem me assistia. Trabalho com estratégias de relacionamento digital.
Alguns dias esquentando a cabeça e me deparei com uma palestra do Seth Godin no TED Talks. Incendiário, polêmico, herético… Seth Godin é um provocador nato. Guardadas as devidas proporções, foi isso o que decidi fazer com a turma. Provocá-los, mais do que fornecer algo pronto.
Quando falamos de Marketing Direto, Relacionamento com o Cliente e toda essa parafernália de termos que inundou as classes de MBA dos anos 90-00, estamos falando do relacionamento entre uma marca e as múltiplas criaturas que a consomem. A princípio, pensávamos que era suficiente gastar alguma verba em mídia de massa e a mágica estaria feita. No momento seguinte, atentamos para os sentimentos de nosso público e nos preocupamos em nos relacionarmos com ele. Num terceiro momento, começamos a nos dar conta de que esse relacionamento já existe… e não é apenas bilateral, mas multipolar.
Isso não significa apenas que esse relacionamento se dá em um ambiente multiplataforma… mas que ele envolve muitos mais players. E a marca é apenas um. Nossos consumidores se relacionam entre eles, falando de assuntos diversos… inclusive, nossa marca.
Como gestores ou potencializadores de marcas, começamos a plotar nossos desejos:
- saber do que meus consumidores estão falando
- saber o que meus consumidores estão falando sobre a minha marca
- oferecer aos meus consumidores uma proposta irrecusável de valor
- fazer com que meus consumidores se tornem meus evangelistas
Na palestra, apresentei algumas experiências, impressões e resultados preliminares sobre o comportamento social do usuário e formas de nos apropriarmos das ferramentas necessárias.
Deixo aqui alguns aperitivos e provocações para o futuro
Marketing Direto: o primo mais próximo do digital
Seth Godin on the tribes we lead
Evan Williams on listening to Twitter users
Comentários e dúvidas, via melissa.lesnovski@gmail.com
Abraço!
Pro argentino e pra 96% das pessoas que me circundam, eu sou uma macmaníaca. Longe de concordar com todos eles, assumo que tenho uma simpatia acima da média pela gangue do Steve Jobs.
Pudera: alguém que dedica seu tempo a tornar a tecnologia mais palpável, acessível e humana, ainda que a um custo quase exorbitante, merece algum crédito da parte de quem acredita que artefatos tecnológicos são tão humanos quanto pizza e que deveriam ser tão simples de operar como uma furadeira. Se bem que eu não sei mexer em furadeiras. Mas ok.
Minha história com Macs começou em 96, quando estagiei em um escritório de arquitetura mac-based. Nem todos tinham computador (pausa dramática), boa parte dos estagiários desenhavam a lápis e nanquim (momento de autopiedade). Os computadores eram todos macintoshes, com interfaces fofas, “intuitivas” e programas desconhecidos da maioria de nós, PCzeiros. Aos poucos, ganhei traquejo com o bichinho. O primeiro micro que comprei com meu dinheiro foi um Performa, adquirido no Extra da avenida Kennedy em Curitiba. Poucos computadores me deram alegria similar.
Três anos depois, abandonei a plataforma Mac e adotei os PCs por questões de investimento e expansibilidade. Em uma viagem ao Chuí, me encantei por um iPod Classic de 160 Gb. Um ano depois, um Macbook branquinho (e lindo) veio morar comigo. O movimento mais previsível seria eu comprar um iPhone e me bandear de vez pro lado maçã da força.
Foram alguns meses e muitos ensaios até eu tomar coragem e comprar o dito cujo. Duas semanas depois, não consigo me separar dele. Meio mundo me pergunta sobre as funcionalidades e questiona o hype excessivo (tem hype não excessivo?). Aqui vão algumas considerações:
Quando eu aprendi o que era internet, estava no terceiro ano da faculdade de arquitetura. Isso em 1996, época em que se amarrava cachorro com lingüiça. Fazia aula de projeto em um ambiente mais ou menos experimentalista, onde os temas a serem desenvolvidos eram bastante conceituais. Claro que “conceitual” dependia de quanta cola de sapateiro nós havíamos involuntariamente cheirado enquanto fazíamos maquetes. Meu projeto em equipe mais insano era uma plataforma metálica gigante, em forma de fractal, fincada no istmo da Ilha do Mel. Olhando hoje, foi provavelmente a coisa mais dantesca que alguém vislumbrou para o litoral paranaense. Naquela época, parecia o último grito da nova geração de arquitetos que bombaria tão logo recebesse o canudo. Enfim, essa era a atmosfera ideal para que um dos professores viesse nos mostrar a grande novidade do milênio: a internet da qual ouvíamos tanto falar estava ali, disponível no laboratório de informática. Minto: era no laboratório de geoprocessamento… o que dava um verniz ainda mais high-tech à coisa toda.
Eu já me considerava parte da nata inovadora da minha geração, sabendo usar um 386 e confeccionar textos e capas de trabalho no Corel Draw. Desenhava tudo à mão e colava um memorial descritivo impresso numa impressora matricial, em papel vergê. Imagina, meu pai ainda era da época das máquinas de escrever… geração caneta BIC. Depois de conhecer a internet e virar uma viciada completa, estava convencida de que a vida reservava grandes planos pra mim e para a geração dos que sabiam o que era o Netscape.
Onze anos depois de terminada a faculdade, eu olho para aquela época com um sorriso meio sarcástico. Sim, eu ainda tenho traquejo grande com os novos gritos da comunicação digital. Mesmo porque é com isso que ganho a vida. Nada de extraordinário. Mas o que aprendi, desde então, é que a vida não reserva nada do que não estejamos dispostos a construir… e raramente isso se consolida antes dos 35, 40 anos de idade. Aprendi também que a experiência e capacidade de resolução de problemas só se conquista com alguma bagagem nas costas. Mas vá dizer a um recém-formado que ele não será CEO antes dos 30, vai.
Li hoje um texto do Luli Radfahrer que fala justamente dessa pressa, característica de quem tem seus 20 e algo anos, de ter sua vida resolvida em curto tempo. Como nossa expectativa de vida média aumentou muito, o span da nossa carreira é muito maior. Quem recém-chegou aos 30 está começando a vislumbrar o primeiro terço de sua carreira… o que dirá alguém de 25.
(…)Duvido que o designer de 25 anos quisesse ter sua casa projetada por um arquiteto da mesma idade. Ou sua causa defendida por um advogado sem um fio de cabelo branco. Por mais competente e seguro que fosse, não acredito que ele encararia tranqüilo ao ser operado por um médico recém-saído da residência. Acho até que mesmo um jovem gerente de banco não inspiraria a sua confiança. O medo faz sentido: por mais habilidoso que seja, o que me garante que um piloto com poucas horas de vôo seja capaz de enfrentar uma tempestade, se as únicas que viu foram em um simulador?
No final das contas, hoje em dia meu pai usa home-banking e planeja viagens via internet. Minha mãe fala comigo no Gtalk, sabe mais sobre formatação no Word do que suas três filhas juntas e – pasme – critica com desdém quem envia Powerpoint com mensagens açucaradas. Nenhum dos dois usa Twitter, nunca “digou” algo mas… será que é realmente necessário? Ambos sabem lidar com situações de conflito em ambientes de trabalho, negociam com grande habilidade, são polidos e justos com seus subordinados e têm um senso de “getting things done” que nenhuma das filhas tem.
Do alto dos meus parcos 33, ainda tenho uma estrada grande pra trilhar. E tou achando ótimo
Uma das melhores surpresas de Montevideo (e olha que não foram poucas) foi o bar Tasende. Um dos mais tradicionais da cidade, o boteco abriu suas portas em 1931 e fica pertinho da Rambla.

Juro que não acreditei a princípio, mas as mesas e cadeiras são originais da época da fundação. Lindas.
A especialidade da casa é a pizza al tacho, uma pizza de queijo muzzarela simples e deliciosa. Vem servida em porção tripla, no pratinho. Ela se enquadra mais como petisco do que prato principal.

A pedida é comer a dita pizza com cerveja beeem gelada e assistir ao pôr-do-sol a poucos metros de distância.
A massa semi-viscosa lembra a massa de buñuelo que mi
nha avó fazia. A covardia é a deliciosa cobertura de queijo com bordas tostatinhas.

Há uma certa sincronicidade nos estímulos que eu recebo do ambiente. A Karina me emprestou o livro ” A Arquitetura da Felicidade” e, logo após, vi no Facebook vídeos postados por um amigo de faculdade com um documentário sobre o mesmo tema, do mesmo autor. Deve ser um sinal. Ou deve ser só atenção seletiva. Whatever.
Criado por Alain de Bottom, o documentário não traz, em teoria, nada diferente do que eu mesma vi na faculdade de arquitetura. A arquitetura é influenciada por nossos desejos e projeções. O meio construído não tem como finalidade única a proteção contra a intempérie, assumindo caráter de construção identitária do indivíduo. Moldamos o ambiente ao nosso redor de acordo com nossas próprias projeções do que seria o ambiente sonhado para nossa igualmente sonhada persona.
O legal no conteúdo é a forma didática como essas questões são colocadas, principalmente para o público leigo.
Confira o documentário abaixo:
Parte 1

Crédito: www.sxc.hu/profile/akesant
Irmã lo-profile de Ciudad Del Este e Foz do Iguaçu, Puerto Iguazú é uma fofura empoeirada, cheia de restaurantes bonzinhos e um free-shop de respeito. Pudera: o Duty Free Shop Puerto Iguazú é o melhor DO MUNDO, de acordo com os outdoors espalhados pelas redondezas. Argentinos.

Encravada na tríplice fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina reside a terceira maior zona franca do mundo, atrás somente de Hong Kong e Miami. Originalmente Puerto Flor de Lís, Ciudad del Este concentra nada menos do que 50% do PIB paraguaio.
Esta deve ser minha sexta ou sétima visita à cidade. A cada vez, a sensação de que estou em um lugar único se renova. De tão decadente, ela ganha ares até poéticos. A cidade foi locação do filme Miami Vice, em 2006, interpretando a si própria: um caos urbano cheio de isopor, papelão e plástico pelas ruas. CSI Mercosul bombaria ali.