Ciudad del Este

Mar 17, 2009 by admin    1 Comment     Posted under: Places


Ciudad del Este

Encravada na tríplice fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina reside a terceira maior zona franca do mundo, atrás somente de Hong Kong e Miami. Originalmente Puerto Flor de Lís, Ciudad del Este concentra nada menos do que 50% do PIB paraguaio.

Esta deve ser minha sexta ou sétima visita à cidade. A cada vez, a sensação de que estou em um lugar único se renova. De tão decadente, ela ganha ares até poéticos. A cidade foi locação do filme Miami Vice, em 2006, interpretando a si própria: um caos urbano cheio de isopor, papelão e plástico pelas ruas. CSI Mercosul bombaria ali.

Para quem chega do Brasil, alguns metros empoeirados e pululantes de miseráveis vendedores ambulantes separam você, turista, das lojas. Não espere luxo e riqueza. À exceção da Monalisa (poderia escrever um parágrafo inteiro sobre a impossibilidade de lucro nesse reduto Dubai dentro de CDE), as demais lojas nada são mais do que salas, às vezes refrigeradas, com produtos expostos de forma tosca. Paredes sujas, vendedores desinteressados, cheiro constante de cola de sapateiro.

Perto da insanidade das ruas, porém, as lojas são o paraíso. É impossível ficar parado por mais de 2 segundos (contados, verifiquei) nas ruas de CDE sem ser importunado por um ambulante. Meias (14 por R$ 10,00), calcinhas (uma lindeza que só chorando), perfumes falsificados, Viagra falsificado, refrigerantes, chicletes, cobertores, ventiladores, piscinas infláveis, isqueiros,  furadeiras, calculadoras e relógios.

Vale ressaltar o alto nível de ilicitude de todo o processo. Os produtos, importados em sua maioria da região sul da China, são em boa parte falsificações de originais. Ao adentrarem o Brasil pelas mãos de sacoleiros (freqüentemente sem pagar os impostos devidos), ganham uma nova camada de informalidade. Em seu ponto final de desova ao consumidor, uma banca de camelô nas grandes cidades, completa-se o ciclo ilegal: o camelô também não paga impostos.

Um artigo excelente de Rosana Pinheiro-Machado sobre a (in)formalidade da cadeia comercial China-Paraguai-Brasil está acessível aqui.

Voltando às vacas frias: não pense em fazer turismo gastronômico por lá. Beba somente o que sair de um recipiente hermeticamente fechado. A lanchonete da Casa China me pareceu ter uma ótima relação custo x benefício x higiene. A outrora movimentada praça de alimentação do Shopping Americana agora é um amontoado de mesas vazio, sujo, com atendentes mal-encaradas e comida medíocre.

Resumo da ópera:


Outlet Chenson: bolsas legais (ok, umas bem medonhas) a preços bons. Ambiente refrigerado e vendedoras amáveis. Chame a Dolores!

Shopping Americana: não tem jeito, é provavelmente lá que você vai comprar a maioria das coisas.

Lai-lai e Jebai Centers: se você sabe o que está procurando, prossiga.

Monalisa: depois do calorão da rua, passe lá para se refrescar e curtir um ar perfumado. Guarde seus dólares para gastar no free-shop argentino.

Shopping Barcelona: legalzinho. Não é o bicho, mas é mais limpo que a média.

Casa China: meio carinha, mas limpa. Vá pela lanchonete.

Nave: perfumada e refrescada. Cara. Vá, mas não gaste tempo.

Loja indiana na frente da Nave: now we’re talking. Decadente, mas tem uma super oferta de lenços indianos. Com um pingo de bom gosto e 30 doletas você leva um montão de coisas legais.

 

Fuja

Shopping Ela: corra e não olhe para trás. Vale somente como estudo antropológico.

Ambulantes: nenhum vale a pena. Repita comigo.

Bancas de rua: idem acima.

Roupas Puma, Adidas e Nike vendidas na rua: there is no such thing. Tome vergonha, vá para o lado argentino e compre no Outlet.

1 Comment + Add Comment

  • Adorei seus comentários,divertidos e instrutivos!
    Vou para Foz de Iguaçu ,Puerto Iguazu e Cidade del leste no fim de ano
    Já sei o que me espera…rs

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Oi

Mel Lesnovski é arquiteta não-praticante e sócia da Aldeia.biz.

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